Natal é encontro. Encontro entre o céu e a terra; entre Deus e a humanidade. Se havia um abismo, ele foi transposto e eliminado, pois Deus se fez homem, o Senhor se fez servo e nos amou até a morte e morte de cruz. Natal é encontro. Encontro pressupõe a saída de si, abertura para […] Natal é encontro. Encontro entre o céu e a terra; entre Deus e a humanidade. Se havia um abismo, ele foi transposto e eliminado, pois Deus se fez homem, o Senhor se fez servo e nos amou até a morte e morte de cruz. Natal é encontro. Encontro pressupõe a saída de si, abertura para […]

Arquidiocese de Botucatu

A Voz do Pastor › 21/12/2015

MENSAGEM DE NATAL 2015

Njesus cristoatal é encontro. Encontro entre o céu e a terra; entre Deus e a humanidade. Se havia um abismo, ele foi transposto e eliminado, pois Deus se fez homem, o Senhor se fez servo e nos amou até a morte e morte de cruz.

Natal é encontro. Encontro pressupõe a saída de si, abertura para o outro, comunicação, comunhão de amor.

No diálogo com Abraão, o rico suplica que Lázaro seja enviado para aplacar-lhe a sede ardente. Abraão responde: “[…] há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós.” (Lc. 16, 26). O rico passou a vida encarcerado em si mesmo. Não fez questão de buscar um verdadeiro encontro com Deus. Mesmo suas amizades do círculo dos ricos eram interesseiras e falsas. Não se deixou tocar pelos sofrimentos do pobre Lázaro, sempre à sua porta. O tempo passou e, com a morte, este abismo se tornou intransponível.

Na parábola dos dois filhos (Lc. 15, 11ss), o mais novo pede sua parte da herança, vai embora e abre um abismo entre ele e o pai. Depois de perder tudo, percebe que as amizades eram interesseiras e falsas; não havia se encontrado verdadeiramente com ninguém. Então se recorda de como era a vida na casa do pai, em que até os empregados eram tratados como filhos e se sentiam irmãos uns dos outros. Toma coragem e resolve, enquanto é tempo, transpor o abismo de volta. Por outro lado, o filho mais velho, ao tomar conhecimento de que o pai mandara fazer uma grande festa pelo retorno de seu irmão, rebela-se frontalmente contra o pai e revela o imenso abismo que na verdade existia entre ele e o pai. Torna-se evidente que este filho mais velho não pensava, não sentia nem agia como o pai. Estava o tempo todo em casa, mas não tinha verdadeira comunhão de vida com o pai. Sem nunca sair de casa, havia deixado crescer, entretanto, um verdadeiro abismo entre ele e o pai.

Outro exemplo forte de abismo encontramos no discipulado dos Apóstolos que, após três anos de convivência com Cristo Jesus, não haviam se encontrado plenamente com ele nem se deixado plenamente encontrar por ele. Assim é que Pedro o nega três vezes. Esta tripla negação revela a magnitude do abismo, a distância a separá-lo de Jesus. Como se Pedro quisesse dizer: “Este não é o meu Cristo; este eu não aceito; eu quero aquele “todo-poderoso” que ia me fazer morar num palácio, ser rico e poderoso”. Claro, depois da paixão-morte-ressurreição e com a força do Espírito Santo de Pentecostes, Pedro e os Apóstolos, com exceção de Judas Scariotes, vão transpor esse imenso abismo para um autêntico e duradouro encontro com Cristo.

Desejo a todos um Santo e Feliz Natal! Desejo que cada um tome consciência do abismo que ainda possa existir entre si e Deus, entre si e os outros, começando dentro de casa. Quanto abismo existe ainda entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos, entre ricos e pobres…! Enquanto é tempo procuremos transpor todo e qualquer abismo entre nós e Nosso Senhor Jesus Cristo, entre nós e nossos irmãos e irmãs. Feliz Natal!

 

+ Mauricio Grotto de Camargo

Arcebispo de Botucatu

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