Arquidiocese de Botucatu

Notícias › 10/10/2019

Bispos sinodais discutem saídas para a verdadeira presença da Igreja em áreas isoladas da floresta

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Na Amazônia, há dioceses com cerca de dez padres para uma extensão geográfica que corresponde ao tamanho de muitos países europeus. Como consequência, populações da floresta, muitas vezes, têm acesso à Eucaristia duas ou três vezes por ano.

Os bispos apontaram problemas como o grande número de jovens que abandonam os seminários e a dificuldade de manter os sacerdotes na região.

Para alguns bispos, a falta de padres na Amazônia não está ligada ao celibato apostólico. Por isso, não acreditam que a ordenação de homens casados resolva o problema. “É necessário refletir por que estamos perdendo vocações e pedir ao dono da messe que mande mais trabalhadores, porque ‘a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos’, como diz o livro de Mateus, capítulo 9, versículo 37”, afirmou o prefeito para o Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini.

Outros bispos são a favor da ordenação de homens casados em tribos isoladas da Amazônia, onde a Eucaristia não está presente. É o caso de dom Erwin Krautler, bispo emérito do Xingu (PA). Ele defende há anos a floresta e seus povos e, por isso, foi ameaçado de morte e vive com escolta policial. “De acordo com João Paulo II, não existe Igreja se não for ao redor do altar. Por isso, é urgente levar Jesus Sacramentado a esses povos. Não se pode colocar o celibato acima da Eucaristia”, defende o bispo.

Dom Erwin explica que os indígenas não entendem o celibato. Desde muito cedo se casam e sempre vivem no seio de uma família porque, para eles, é preciso estar casado para defender a tribo. “Há homens nas aldeias capazes de serem bons sacerdotes mas que não vão viver o celibato por questão cultura. Quando eu chegava pela primeira vez numa tribo, a primeira coisa que me perguntavam era sobre minha esposa. Ao responder que não era casado, sempre os índios ficavam numa tristeza enorme, com muita pena de mim. Por isso defendo essa exceção ao celibato”.

Por Manuela Castro, via CNBB

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