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Artigos › 23/11/2020

“Jesus, a humanização de Deus”

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O livro de título acima – que tem por subtítulo A humanização de Deusum ensaio de Cristologia (Vozes, 2015, 604 p.) – foi escrito por José M. Castillo, mas é falho e tendencioso em vários pontos, dentre os quais dois são aqui comentados.

Na página 357, o autor garante que “Jesus foi um leigo”. Em resposta, afirmamos que Cristo não é leigo, mas sacerdote, o Sacerdote por excelência, o verdadeiro Sacerdote eterno de quem os sacerdotes humanos são ministros (cf. S. Tomás de Aquino, Hebr 7,4; Catecismo da Igreja Católica n. 1544-145).

Dito isso, recorramos ao Pe. Albert Vanhoye, renomado estudioso jesuíta do Instituto Bíblico de Roma, que, após trabalhar, num livro inteiro, a mensagem da Carta aos Hebreus, formula a seguinte conclusão: “O autor respondeu com extraordinária agudeza à questão que os cristãos se colocavam: a questão do sacerdócio. Sua resposta é plenamente positiva: Cristo é o nosso sacerdote. Mas não é resposta simplista. Longe de aplicar ao ministério de Cristo a ideia que se tinha do sacerdócio, tal como existia antes, ele aprofundou o seu sentido a ponto de renová-lo completamente. Desse modo, ele pôde mostrar que Cristo não apenas possui o sacerdócio, mas também é o único sacerdote no sentido mais pleno da palavra, pois foi ele o único que abriu aos homens o caminho que leva a Deus e os une entre si. Cristo nos faz passar de um culto necessariamente exterior e ineficaz, marginal em relação à vida, para oferenda que toma toda a realidade de nossa existência e a transforma profundamente, na adesão filial a Deus e no devotamento fraternal” (A mensagem da Epístola aos Hebreus. S. Paulo, 1983, p. 84). Vê-se, pois, o quanto o livro de J. M. Castillo é falso na afirmação que faz.

Na página 212, o autor afirma que o Senhor Jesus parece não ter consciência alguma da sua identidade divina com o Pai. Ignorava ser Deus. Ora, respondemos que Jesus sabia, sim, que era Deus e, por isso, exercia seu ministério com incomparável poder que só cabe a Deus; superava, assim, a autoridade dos antigos Profetas. Basta dizer que Deus Pai é para o Senhor Jesus alguém muito íntimo (cf. Mc 14,36; Jo 20,17); só Ele conhece e revela plenamente o Pai(cf. Mt 11,27) e sabe até o que Deus pensa (cf. Mt 16,16-17), embora nem tudo deva ser revelado: a data do fim do mundo, por exemplo (cf. Mc 13,32). Mais: o uso da expressão “Eu sou” por parte de Jesus faz eco ao “Eu sou” (Javé) com a qual Deus se revelou a Moisés (cf. Ex 3,14). Há, portanto, pleno conhecimento da identidade do Filho com o Pai (cf. Jo 8,24.28.57;13,19). O Senhor Jesus atribui a si – e comprova pelos milagres – a autoridade própria de Deus(cf. Mc 13,31). Quem se decide por Cristo, se salva (cf. Lc 12,8-9; Mc 8,38; Mt 10,32); é preciso amá-lo acima de tudo (cf. Mt 10,37.39), pois não existe Mestre além d’Ele (cf. Mt 23,8).

Isso tudo a Igreja sabia desde suas primeiras comunidades: Cristo é igual ao Pai em perfeição (cf. Fl 2,6-8) e foi por Ele enviado a nós com a missão de nos salvar (Rm 8,3; Gl 4,4). Uma vez mais, Castillo tenta escamotear uma verdade que até o demônio tinha quase certeza de ser real (cf. Mt 4,3.6; Lc 8,28; Mc 1,24; 3,11): Cristo é o Filho unigênito de Deus e, por conseguinte, tinha plena consciência da sua missão neste mundo (cf. Comissão Teológica Internacional. A consciência que Jesus tinha de si mesmo e da sua missão, 1985, eF. Dreyfus. Jesus sabia que era Deus? S. Paulo: Loyola, 1987).

Lamentamos que a densa obra de J. M. Castilho, portadora de aspectos úteis e de ricos índices – bíblico (p. 541-575), onomástico (p. 577-591) e analítico (p. 593-600) – não seja referencial seguro no correto estudo da pessoa e da obra de Cristo, Nosso Senhor. O autor é, sem dúvida, um estudioso, mas parece ter se deixado levar mais por ideologias heterodoxas do que pelos ensinamentos cristalinos da Mãe Igreja.

Via Aleteia

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