Arquidiocese de Botucatu

Fraternidade e educação: Fala com sabedoria, ensina com amor

 

Fraternidade e educação: Fala com sabedoria, ensina com amor. (Pr 31,26)

Enquanto cristãos, como atuar na educação?

No próximo dia 02 de março, a Igreja iniciará, com a celebração da Quarta-Feira de Cinzas, o tempo da Quaresma. Este tempo litúrgico possui uma extensão de quarenta dias a fim de nos preparar para bem celebrar a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Junto com este tempo da quaresma, a Igreja no Brasil inicia a Campanha da Fraternidade, expressão de comunhão, conversão e partilha.

A temática da Campanha da Fraternidade, nesse ano de 2022 é inspirada no livro dos provérbios: “Fraternidade e Educação: Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26). O livro dos provérbios concebe uma dualidade no mundo entre sábios e insensatos, onde o sábio é o que aprendeu o verdadeiro sentido da vida, se opondo as visões pré-concebidas de uma pessoa que acumula conhecimento por observação, ou reflexão. A sabedoria não está em posições de “gabinete”, isto é, em apenas observação e reflexão. Sábio é aquele que além de observar e refletir, põe em prática.

Deste modo, somos convidados a nos defrontar com a pedagogia divina, de um Deus que caminha com seu povo, fala nele, com ele e por ele, que respeita suas etapas, que admoesta o erro, mas que visa a construção de uma nova realidade. Mas como construir uma nova realidade, mais fraterna e justa? Não se trata de um trabalho isolado, mas de conjunto. Assim como diz um antigo ditado africano: “é preciso uma aldeia para educar uma criança”. O mesmo deve ocorrer conosco neste processo, precisamos caminhar juntos, rumo a um pacto pela educação.

No dia 15 de outubro de 2020, o Vaticano, na pessoa do Papa Francisco lançou o pacto global pela educação. Se trata de um chamado para todas as pessoas do mundo, bem como as instituições e governo, para visar uma educação humana e solidária. Este pacto é constituído por sete pontos: colocar a pessoa no centro do processo educativo, ouvir as novas gerações, promover a mulher, responsabilizar a família, acolher, renovar a economia política e cuidar da casa comum.

Para além dos pontos que constituem o pacto global, a Campanha da Fraternidade 2022 estabelece o seguinte objetivo: “promover diálogos a partir da realidade educativa do Brasil, à luz da fé cristã, propondo um caminho em favor do humanismo integral e solidário”. Deste modo, nada mais oportuno neste tempo favorável que é a quaresma de refletir nossa participação e colaboração para uma educação justa e fraterna.

Os objetivos específicos da Campanha da Fraternidade nos oferecem um itinerário seguro para reavaliarmos nossas condutas diante da educação:

  • É preciso, inicialmente, analisar o contexto da educação na cultura atual sobretudo seus desafios que foram potencializados pela pandemia que ainda estamos vivendo.
  • Verificar o impacto das políticas públicas na educação se faz necessária para todo aquele que se diz cristão.
  • O contato com a Palavra de Deus ajuda-nos a identificar os valores e referências em vista de uma educação humanizadora na perspectiva do Reino de Deus.
  • Nesse caminho, a família, a comunidade de fé e da sociedade, devem exercer um importante papel no processo educativo. É preciso ser colaboradores dos educadores e das instituições de ensino.
  • Enraizar no Evangelho, novas propostas educativas que promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a casa comum.
  • Estimular a organização do serviço pastoral junto a escolas, universidades, cetros comunitários e outros espaços educativos, em especial das instituições católicas de ensino.
  • Construirmos uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, em especial, dos mais pobres.

Diante disso, somos convidados pela Campanha da Fraternidade, a nos debruçar sobre o livro dos Provérbios durante esse período quaresmal e deixarmos de lado o insensato que assola um projeto educacional humanizador nos dias de hoje. É preciso refletir e trilhar o caminho da sabedoria, se opondo aos modelos ineficazes, doutrinais e distantes de nossas realidades. Lutar pela educação humanizadora, próxima e atenta a realidade e necessidade de estudantes e educadores se torna necessário, e fundamental para todos os cristãos. Não basta apenas refletir, é necessário atuar.  Como podemos contribuir nisso?

Vivemos tempos em que a educação vem sofrendo sucateamento por parte das instituições e cortes nos orçamentos para a educação. Não há valorização do profissional, nem interesse dos pais pela vida do aluno e, consequentemente, não há interesse do aluno pela comunidade. As escolas são tratadas como creches ou possíveis “presídios”. Percebe-se, ainda, a extinção das normas de condutas éticas por parte dos pais a seus filhos, aumento da violência, drogas ilícitas, discriminação, falta de oportunidade aos mais pobres nas universidades etc. São N problemas que poderiam ser apresentados. Há uma crise que permeia toda a educação. Uma crise que atinge variados setores.

O cristão nesta quaresma é chamado a uma atuação efetiva na realidade educacional. Seja em casa, na comunidade, e/ou junto dos órgãos e instituições. Chamado a ser sal e luz (Mt5,13-16), neste momento em que a realidade parece passar por um nevoeiro, somos convocados a ser farol para iluminar a todos que navegam. Que possamos nesta quaresma, pela prática da caridade, socorrer as necessidades mais urgentes, bem como lutar por uma educação fraterna para que possamos falar com sabedoria e agir com amor.

 

Seminaristas Adilson Pedro e Fábio Dorini Mioni

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